Mitos sobre as certificações de TI

A certificação técnica em Tecnologias de Informação nasceu há já quase 40 anos, e ao longo desse tempo, surgiram muito preconceitos sobre a sua relevância e utilidade. Num momento em que a falta de profissionais qualificados em TI ganha proporções inéditas, e que profissionais de outros setores começam a ter de reconverter as suas carreiras para áreas mais tecnológicas, é importante revisitar alguns dos mais importantes destes mesmos mitos.

 

Mito #1: As Certificações são focadas no produto

Não sendo uma afirmação completamente falsa (há bastantes certificações técnicas “agnósticas” de produto ou fabricante como as da CompTIA, EXIN, ISACA, ITIL, PMI, IIBA, entre outras), muitas das mais reconhecidas certificações são de facto criadas pelo fabricante. A conotação de que isto é algo negativo é que é errada.

Os sistemas de informação reais das organizações não são agnósticos, estão assentes em algum tipo, ou vários tipos, de tecnologias ou plataformas, e as organizações precisam de profissionais que saibam utilizar essas ferramentas da melhor forma possível. E ninguém é mais bem qualificado para desenvolver um programa de certificação, que avalie o domínio de um determinado produto, do que o fornecedor que o criou. Dependendo do percurso e especialização que o profissional de TI procura desenvolver, uma certificação de fabricante pode ser assim muito mais relevante do que uma independente de produto.

 

Mito #2: Certificação não são orientadas para o mundo real

Esse mito sugere que como as certificações são focadas no produto, elas não preparam para as tarefas do mundo real. Esta é uma preocupação válida, que tem, contudo, cada vez menos fundamento.

Os fabricantes, e outras entidades certificadoras, têm vindo a fazer grandes esforços para focar as suas certificações na validação de competências práticas úteis, alinhando o seu conteúdo com as tarefas reais, desempenhadas pelos profissionais no seu dia-a-dia, e a forma como são realizadas com os ambientes e situações reais de trabalho, dando-lhes um carácter mais genuíno e autêntico. Um grande número de exames de certificação TI incorpora elementos de avaliação baseados em desempenho ou testam o conhecimento prático em ambiente simulado ou emulado, permitindo que os candidatos a exame se sintam como se estivessem num posto de trabalho a resolver um problema real num sistema.

Profissionais portugueses de TI certificados contestam eles próprios esta afirmação. Num estudo realizado pela Rumos em 2021 (Certificação em TI: Sim ou Não? A Realidade Portuguesa) , 75% dos inquiridos afirma que as certificações lhes proporcionaram conhecimento útil para a realização das suas tarefas diárias.

 

Mito #3: O Ciclo de Vida de Certificação é Curto

Os avanços tecnológicos ocorrem a um ritmo cada vez mais elevado. Para manterem a sua competitividade as empresas necessitam de adotar estes avanços com rapidez e eficiência.

Assim, e embora possa parecer inconveniente, o ciclo de vida das certificações precisa de acompanhar o ritmo da evolução tecnológica. Enquanto certificações de tecnologias obsoletas perdem o seu valor de mercado ou reconhecimento, certificações de tecnologias emergentes precisam de ser atualizadas para atestar as novas capacidades e competências, e refletir a forma como são utilizadas realmente nas funções atuais.

Assim, a validade da certificação deverá ser vista não como algo depreciativo da própria certificação, mas como um alerta da velocidade a que as nossas competências se tornam obsoletas e deverão ser atualizadas.

 

Mito #4: Certificações não são valorizadas

Este é um mito sem qualquer fundamento. O valor das certificações é indiscutível e reflete-se no número crescente de profissionais que, todos os anos, se propõe a exames de certificação. Mesmo em momentos de crise como o que vivemos nos últimos dois anos, a confiança no valor das certificações mantém-se, como nos dá conta o último estudo da Pearson Vue, um dos maiores centros de certificação mundiais, que reporta um crescimento de 16% nas candidaturas a exames.

Em Portugal, a valorização das certificações também é elevada: no estudo da Rumos, uma imensa maioria dos profissionais inquiridos (quase 80%) – tem intenção de renovar ou perseguir novas certificações e 92% recomenda o investimento em certificações para quem quer iniciar ou progredir numa carreira em TI.

Do lado das organizações, estudos internacionais atestam a perceção positiva que diretores e managers de TI têm dos benefícios da certificação: o aumento da qualidade do trabalho, da produtividade, da eficiência, da inovação e da capacidade de orientar outros colegas são referidos como benefícios diretos da certificação, com grande impacto na rentabilidade do negócio. Estes benefícios são também reconhecidos pelos managers portugueses, conforme reportado no estudo realizado pela Rumos .

 

Mito #5: Formação Académica vs Certificação vs Experiência

Todos estes 3 aspetos têm um papel fundamental na construção do perfil de um profissional de TI, na sua competência para executar suas funções e na sua atratividade para potenciais empregadores.

No mercado das TI, as certificações são incontornáveis no processo de recrutamento. No estudo da Rumos, são identificadas como o segundo critério mais importante na avaliação de potenciais candidatos, apenas ultrapassado pela experiência profissional. 56% dos recrutadores inquiridos afirmam que a certificação já foi um fator decisivo na contratação de um candidato em detrimento de outro. Porquê? Porque as certificações são imparciais e provam, não só um nível mais profundo de conhecimento numa determinada área, mas também motivação, capacidade de perseguir e cumprir um objetivo e o empenho em manter-se atual e relevante.

 

Mito #6: Ninguém sabe quais ou quantas certificações são suficientes

Este mito argumenta que ninguém sabe quantas certificações são precisas para se ser bem-sucedido, o que pode parecer desencorajador. Mas, na realidade, permite que todos os caminhos sejam válidos e dá-nos a liberdade de escolher o nosso próprio percurso e domínio de especialização, sabendo que a posse de uma certificação nunca é uma má ideia, que a construção de conhecimento é sempre uma mais-valia.

Mais ainda, a premissa que uma pessoa faz uma determinada formação ou certificação, começa a trabalhar na função e já está, não funciona nos dias de hoje. Não só em TI, como em qualquer outra área, as funções evoluem e transformam-se cada vez mais rapidamente, restando aos profissionais acompanhar essa evolução com formação e certificação contínua ao longo de todo o seu trajeto profissional.

Claro que esta necessidade levanta, contudo, o problema do valor do investimento – seja financeiro, tempo ou esforço – tanto nas certificações como na sua preparação. O que nos precisamos de recordar aqui é que as certificações beneficiam tanto o profissional de TI como as organizações que os empregam, e que as empresas devem contribuir para o desenvolvimento dos seus colaboradores, sobretudo quando estes mostram interesse na evolução das suas competências e em aumentar o valor que aportam às suas organizações.

 

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